Congresso de Arqueologia Peninsular - CAP 99

Vila Real, Portugal - Setembro de1999

Capacitar os museus para actualizarem os próprios sítios Web

 

Leonel Morgado

 

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Centro de Informática

5000 Vila Real

Portugal

 

Telefone +351 259350309
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Correio electrónico: leonelm@utad.pt

 

Resumo

Esta comunicação vem apresentar uma proposta de finalização do trabalho de divulgação dos museus desenvolvido pelas equipas da UTAD associadas ao Projecto Geira. Está baseada no motor de sítios Web desenvolvido e utilizado pelo Projecto Geira, apresentado na conferência CAA' 98, em Barcelona (MORGADO et al., 1999).

O motor possibilita que diferentes organizações - museus em particular - possam utilizar um sistema comum para desenvolvimento de sítios Web, minimizando desta forma o dispêndio de recursos para que tal desenvolvimento tenha lugar. Isto tanto em termos de desenvolvimento como de design gráfico.

A principal limitação deste sistema é que embora permita automatizar e simplificar a criação de sítios Web, a actualização dos conteúdos tem de ser feita por pessoas com conhecimentos de criação de páginas HTML.

Embora as competências necessárias para tal sejam de simples aquisição, por qualquer pessoa com conhecimentos de informática na óptica do utilizador, situam-se conceptualmente numa área de informática técnica - exterior à de actuação dos profissionais de museologia e conservação. Tal facto na prática inviabiliza a utilização vulgarizada do sistema, por incutir receios de complexidade nos potenciais utilizadores.

Para ultrapassar esta dificuldade, o autor desta comunicação propõe o desenvolvimento de um sistema de interface simples, sem contacto com código ou especificidades da composição de páginas, que permita aos museus actualizarem e alterarem as próprias páginas, sem necessidade de recurso a profissionais externos. Tal sistema poderá ser instalado em qualquer computador com uma ligação à Internet, que contacta automaticamente um servidor central, onde são guardadas as informações e conteúdos dos sítios Web. O apoio na linguagem geral normalizada de anotação (SGML) para gestão dos conteúdos e num sistema de gestão de bases de dados (SGBD) é crucial para assegurar um arquivo seguro e independente dos sempre voláteis formatos informáticos de arquivo de dados.

Apresentação do motor de sítios Web

O motor assume que cada sítio Web possui uma página de entrada e 5 secções secundárias.

Cada página possui uma área superior, para efeitos de navegação, sendo a área inferior utilizada para apresentação de informações. Como exemplo desta organização, vejam-se os sítios Web do Museu do Abade de Baçal, em Bragança (http://www.utad.geira.pt/museus/abadebacal/) e do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo, em Torre de Moncorvo (http://www.utad.geira.pt/museus/ferromoncorvo/), entre outros.

A figura 1 apresenta a página de entrada da Sala-Museu de Arqueologia de Mogadouro (http://www.utad.geira.pt/museus/mogadouro/salamuseu/).


Figura 1: divisão das páginas do motor

Estas areas foram definidas com recurso a painéis (frames), que permitem atribuir ficheiros distintos a áreas distintas do ecrã. Através da programação destes painéis com Active Server Pages (ASP), foi assegurado no motor o comportamento dinâmico dos sítios Web, da forma descrita no artigo “A Web site engine for the development of heritage-related sites (Morgado et. al., 1999).

Refira-se apenas, a título exemplificativo, que cada um dos elementos da área de navegação está perfeitamente definido em termos informativos, sendo incluído automaticamente a partir da base de dados, como se mostra na figura 2.

Figura 2: painel de navegação do Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes (Mirandela)

Text Box: Raiz do motor 	 
 	Secção 1	 
 	 	Sítio 1
 	 	Sítio 2
 	 	...
 	 	 
 	Secção 2	 
 	 	Sítio 1
 	 	Sítio 2
 	 	...
 	...	 
 	 	...
Figura 3: Estrutura de pastas do motor

Em termos de armazenamento de ficheiros HTML em disco, o motor apoia-se numa árvore de pastas com a estrutura da figura 3.

A raiz é comum a todos os sítios, com uma sub-pasta para cada secção secundária. Dentro destas secções, cada pasta contém os ficheiros de um sítio Web específico.

Existem ao todo 5 secções no motor: “átrio” (página de entrada), “colecções”, “actividades”, “contactos”, tema livre n.º 1 e tema livre n.º 2.

 

 

 

 

 

 

 

Modificações propostas

Para permitir uma utilização mais flexível do motor, considerei necessárias as seguintes alterações:

·         Possibilidade de ter um número variável de sub-secções ou elementos decorativos em cada sítio;

·         Possibilidade de escolha entre vários esquemas organizativos;

·         Existência de vários modelos pré-definidos, na área de conteúdo informativo;

·         Criação de uma interface interactive e simples;

Implementação de um novo motor de sítios Web

Por forma a que o sistema cumprisse as modificações acima propostas, foi alterado, conforme descrito por Morgado et al. (1999), passando a dispor de:

·         Número variável de sub-secções e dos botões de navegação a elas associados;

·         Várias estruturas organizativas, à escolha do criador dos sítios;

·         Número variável de elementos decorativos, embora estático em cada estrutura organizativa.

Utilização do novo motor

A criação de sítios Web é efectuada através de uma utilização específica em ambiente Windows – não é um processo manual. Esta aplicação, desenvolvida como protótipo, foi utilizada para crier os sítios Web de temática arqueológica apresentados no sítio Web do congresso IRAC’ 98 (http://www.utad.geira.pt/irac/).

Em primeiro lugar, o utilizador escolhe o esquema organizativo que pretende utilizar. Cada esquema possui um conjunto distinto de elementos informativos e decorativos, além de formas distintas de distribuir pelo ecrã os elementos de navegação.

De seguida, a aplicação solicita os valores necessários à implementação do esquema seleccionado, para os poder registar na base de dados. Estes valores consistem no nome das imagens, no texto alternativo para cada uma, etc.

Por exemplo: um esquema pode possuir um painel cimeiro ou lateral com os botões de navegação, apresentando as páginas respectivas noutro painal. Mas pode também ter uma página de etnrada automática, com apenas alguns elementos de apresentação, a partir da qual se passa para o esquema de painéis final.

A inclusão de uma página informativa é dependente dos elementos de navegação (botões) existentes no esquema organizativo: quando o utilizador pretende incluir um botão, deve igualmente indicar os ficheiros a ele associados, que são imediatamente copiados para a pasta adequada, no servidor.

Proposta de nova aplicação de edição/criação de sítios Web

Dado que os sítios Web criados com o motor de sítios em causa se baseiam em estruturas pré-definidas, é possível criar uma aplicação que, mais do que simplesmente permitir seleccioanr o esquema organizacional pretendido e comunicar ao motor os dados por ele requeridos, permita igualmente apoiar a criação das páginas informativas.

Tal poderia ser conseguido de forma idêntica:

·         cada página teria uma estrutura informativa seleccionada de entre um conjunto posto à disposição do utilizador (texto dentro de moldura; menu vertical à esquerda, conteúdos à direita, etc.);

·         cada secção dessa estrutura poderia receber apenas elementos pré-definidos (menu vertical, texto emoldurado, imagem emoldurada, conjunto de imagens ampliáveis, menu horizontal de acesso a menus verticais, texto simples, imagem simples, etc.);

·         a introdução de textos necessitaria apenas de permitir incluir formatação mínima: negrito, itálico, listas numeradas e/ou com marcas e definição de hiperligações externas;

·         as hiperligações internas poderiam ser efectuadas automaticamente: por exemplo, no caso de um menu a aplicação solicitaria apenas as entradas e transformá-las-ia em hiperligações apontando para o painel correcto de apresentação informativa, sendo igualmente solicitado o texto para cada uma das entradas do menu.

Desta forma, todo o conteúdo do sítio Web poderia ser ampliado, actualizado e corrigido sem necessidade de composição gráfica elaborada ou conhecimentos de HTML, pois a disposição gráfica dos elementos apoiar-se-ia sempre em estruturas pré-definidas.

Como o utilizador não manipularia directamente os ficheiros, tal permitiria a actualização constante das funcionalidades, directamente no servidor, sem perigo de corrupção ou alteração do código ASP necessário ao funcionamento de todo o sistema.

Referências

Morgado, Leonel; Reis, Arsénio; Abreu, Mila; Bicho, Joël; Santos, Arlindo; Guedes, Mário; Barroso, João; Melo-Pinto, Pedro; Lobo, Helena; Proença, Alberto e Bulas-Cruz, José. A Web site engine for the development of heritage-related sites, New Techniques for Old times - CAA 98, BAR S757, Archaeopress, Oxford, Inglaterra, 1999.