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Purgatório



 

Por melhor água com içadas velas

Agora vai a nau do meu engenho

Que deixa atrás de si mar tão cruel;

E eu falarei deste segundo reino,

Onde o espírito humano se liberta

E de subir ao céu se torna digno.

Que a morta poesia aqui ressurja,

Musas sagradas, pois eu vos pertenço;

E um instante Calíope aqui surja

Meu canto acompanhando com a voz

Que tão amarga foi às miseráveis

Pegas que do perdão desesperaram.

Dante Alighieri, A Divina Comédia - O Purgatório

(Tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen)

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