Introdução
1 - Conservação e valorização dos auxiliares indígenas (limitação natural)
1.1 - Limitação natural através de luta química selectiva
1.1.1 - Selectividade fisiológica
1.1.2 - Selectividade ecológica
1.2 - Limitação natural através da criação de condições ambientais favoráveis aos entomófagos
1.2.1 - Manutenção da diversidade vegetal
1.2.2 - Práticas culturais diversas
1.2.3 - Outras medidas
1.3 - Enriquecimento artificial das biocenoses agrárias
1.3.1 - Aclimatação
1.3.2 - Tratamento biológico
1.3.2.1 - Tratamento biológico inoculativo/sazonal
1.3.2.2 - Tratamento biológico inundativo/periódico
1.3.2.3 - Tratamento biológico suplementar
Nota final
Referências bibliográficas
 
Introdução       topo

O desenvolvimento das populações das pragas das culturas é limitado por acção de diversos agentes antagonistas, entre os quais têm particular interesse os auxiliares entomófagos. Várias situações de equilíbrio e desequilíbrio podem ocorrer entre as populações da praga e as destes auxiliares. Em situações de equilíbrio estável, as populações do auxiliar podem manter as populações da praga em intensidades de ataque sempre inferiores ao nível económico de ataque. O equilíbrio é instável se a população do auxiliar for incapaz de impedir que periodicamente a população da praga atinja o nível económico de ataque. Por vezes o equilíbrio instável tem um carácter acidental, resultante por exemplo da ocorrência de temperaturas que afectam negativamente as populações do auxiliar mas permitem o normal desenvolvimento das populações da praga. Noutros casos os desequilíbrios são permanentes, podendo estes corresponder quer a situações naturais, resultantes do facto de os auxiliares serem incapazes de impedir que a praga atinja o nível económico de ataque, quer a situações provocadas, associadas à destruição das populações do auxiliar por exemplo por tratamentos insecticidas irrracionais, com excessiva utilização da produtos polivalentes (AMARO& BAGGIOLINI, 1982).

O equilíbrio entre as populações das pragas e as dos auxiliares pode ser restabelecido quer por intervenções destinadas a valorizar a acção dos últimos, quer pela reimplantação deliberada destes entomófagos (AMARO& BAGGIOLINI, 1982). O primeiro caso corresponde à limitação natural, que diz respeito ao conjunto de medidas a empreender com a finalidade de pôr em evidência a actividade dos auxiliares presentes na natureza (indígenas) (AMARO& BAGGIOLINI, 1982). O segundo caso corresponde ao enriquecimento artificial da biocenose, concretizado quer por aclimatação, quer através de largadas periódicas. Na aclimatação, também designada luta biológica clássica, introduz-se um organismo auxiliar exótico numa nova região, onde se estabelece de forma permanente (GREATHEAD & WAAGE, 1983; ONILLON, 1992a). Nas largadas ou tratamento biológico, aumenta-se artificialmente a população de inimigos naturais largando-os periodicamente na cultura (DeBACH & HAGEN, 1964; ONILLON, 1992a). Enquanto no primeiro caso se procede a uma intervenção de natureza qualitativa, no segundo caso, tal intervenção é sobretudo quantitativa (ONILLON, 1992a; 1992b). A fim de ter presentes as possibilidades oferecidas pelos diferentes meios de utilização dos artrópodos auxiliares na protecção das culturas, procede-se a uma análise sumária dos principais aspectos dessa utilização.

1 - Conservação e valorização dos auxiliares indígenas (limitação natural)  

A limitação natural consiste, de acordo com AMARO& BAGGIOLINI (1982), na limitação do desenvolvimento dos inimigos das culturas em consequência da acção de factores naturais, como parasitóides, predadores e parasitas. A limitação natural por meio de auxiliares entomófagos pode ser realizada através de medidas que têm por objectivo, por um lado, suprimir todas as causas susceptíveis de prejudicar a sobrevivência dos auxiliares presentes nas culturas, e, por outro lado, criar condições favoráveis ao seu desenvolvimento e multiplicação. Em relação às primeiras assume particular importância a realização duma luta química selectiva. Nas segundas incluem-se diversos tipos de medidas, nomeadamente de natureza cultural, que interferem no meio, no sentido favorável à actividade dos auxiliares. As possibilidades de cada uma destas vias de concretização da limitação natural por meio de artrópodos entomófagos são analisadas a seguir.

1.1- Limitação natural através de luta química selectiva

Apesar dos seus efeitos secundários indesejáveis, os pesticidas continuam a ser um importante componente da protecção das culturas, motivo porque, nas últimas décadas, têm sido desenvolvidos grandes esforços no sentido de desenvolver medidas capazes de reduzir as interferências negativas desses produtos na actividade dos entomófagos (AMARO & BAGGIOLINI, 1982). De referir que os pesticidas podem reduzir a eficácia destes auxiliares quer directamente, ao provocar-lhes a morte, quer indirectamente ao influir em diversos aspectos da sua biologia e comportamento. Assim, a exposição a doses subletais de pesticidas pode reduzir a longevidade dos auxiliares, a taxa de reprodução e de desenvolvimento das suas populações - quer em termos absolutos, quer em relação à praga -, alterar a razão sexual da descendência e a capacidade de procura de presas ou hospedeiros. Por exemplo HISLOP & PROKOPY (1981a) citados por CROFTT (1990), notaram que o benomil, um fungicida não tóxico ou pouco tóxico para os fitoseídeos, causava esterilidade às fêmeas de Amblyseius fallacis (Garman). De igual forma tem-se verificado que os fungicidas tiofanato-metilo e carbendazima inibem as posturas de Phytoseiulus persimilis (DONG & NIU, 1988).

De notar que, para além de poderem causar redução da taxa de reprodução dos auxiliares, os pesticidas podem ainda originar acréscimos da taxa de reprodução dos fitófagos, através de fenómenos de hormoligose, levando a situações de desquilíbrio entre as populações destes organismos. Assim, LOWERY & SEARS (1986) citados por Van DRIESCHE & BELLOWS (1996) verificaram que o tratamento de adultos de afídeo-verde-do-pessegueiro, Myzus persicae (Sultzer) com doses subletais de azinfos metilo aumentava a sua fecundidade em 20-30%. Algumas substâncias não directamente tóxicas para determinados auxiliares podem exercer sobre eles acção repulsiva, forçando-os a abandonar as culturas. Assim, BOLLER et al. (1984) verificaram que os herbicidas diquato e paraquato tornam os solos das vinhas tratadas repelentes para o ácaro predador Typhlodromus pyri (Scheuten). O uso de pesticidas pode ainda reduzir a eficácia dos auxiliares ao alterar a densidade dos fitófagos, o seu padrão espacial ou a estrutura etária das suas populações. A redução das densidades populacionais dos fitófagos, abaixo de determinados níveis, pode causar redução da taxa de reprodução dos auxiliares, causar-lhe morte por inanição ou obrigá-los a abandonar a cultura. Quando os pesticidas actuam selectivamente sobre determinados estados de desenvolvimento dos fitófagos podem interferir com o sincronismo existente entre as populações destes e as do auxiliar originando o que na bibliografia se refere como um "sincronismo catastrófico". Este efeito, que pode persistir durante várias gerações, é especialmente prejudicial nos casos em que o ciclo evolutivo do auxiliar é mais curto do que o do fitófago, por originar uma ausência temporária de hospedeiros adequados.

Nas condições apresentadas, mais do que nunca se reconhece que a tomada de decisão relativa à utilização dos pesticidas deve ser fundamentada num adequado conhecimento dos seus efeitos secundários sobre as populações de auxiliares. Além disso, as estratégias de protecção deverão ser delineadas não só em função da biologia das pragas, dos seus estados de desenvolvimento mais vulneráveis e da dinâmica das suas populações, mas também de modo a salvaguardar, sempre que possível, os períodos de maior actividade dos auxiliares (REBOULET, 1985). Nesta perspectiva, a utilização de pesticidas na protecção das culturas deve basear-se num conjunto de aspectos genericamente designados por selectividade - entendida como sendo a característica de certos produtos que actuam sobre certas espécies e não sobre outras ou outras famílias ou grupos de insectos (AMARO & BAGGIOLINI, 1982). O conceito de selectividade engloba dois aspectos distintos, por um lado a selectividade fisiológica e por outro lado a selectividade ecológica. Enquanto a primeira está intrinsecamente ligada ao produto, resultando da acção deste sobre a fisiologia do organismo visado, a segunda depende das modalidades de aplicação no tempo e no espaço, em ligação com a biologia ou o comportamento desse mesmo organismo (BAGGIOLINI & BOVEY, 1979; AMARO & BAGGIOLINI, 1982; REBOULET, 1992).

1.1.1 - Selectividade fisiológica topo

O número de pesticidas intrinsecamente selectivos, no sentido de salvaguardarem as populações de inimigos naturais dos artrópodos nocivos, é infelizmente pequeno, apesar de alguns esforços que, nos últimos anos, têm sido feitos pela indústria química tendo em vista a sua obtenção. Os organofosforados, mais do que qualquer outro grupo de pesticidas têm sido estudados na perspectiva da sua selectividade para os artrópodos auxiliares. Em geral estes pesticidas têm-se mostrado muito tóxicos para a maioria dos referidos auxiliares. Os organofosforados que mais frequentemente revelam propriedades selectivas são os sistémicos. Entre as substâncias activas dotadas de selectividade relativamente a alguns grupos de auxiliares referem-se: a fosalona, o fosmete, o triclorfão, o demetão-metilo, o fosfamidão, o dimetoato, o tiometão e o acefato o que tem, nalguns casos, permitido o seu emprego em protecção integrada (CROFT, 1990). Tal como os organofosforados, os carbamatos são geralmente muito tóxicos para a maioria dos inimigos naturais de pragas do meio agrícola. Contudo, um dos pesticidas dotados de maior selectividade jamais descoberto e homologado - o pirimicarbe - é um carbamato. Embora muito tóxicos quando administrados directamente, muitos carbamatos, entre os quais o aldicarbe e carbofurão, mostram certa selectividade para os auxiliares quando aplicados na forma sistémica, apesar de se tratar aqui mais de uma situação de selectividade ecológica do que fisiológica. Os piretróides são provavelmente, de todas as classes de insecticidas até agora desenvolvidos, os mais tóxicos para os auxiliares, embora existam excepções de notável selectividade para algumas espécies. Contudo, a maioria destes casos refere-se a uma única espécie ou a um reduzido grupo de espécies. Casos de selectividade têm sido observados relativamente a alguns parasitóides e predadores como. Chrysoperla carnea, Cryptolaemus montrouzieri e Venturia canescens. Alguns piretróides mais mal estudados como o flucitrinato, o fluvalinato, e a tralometrina mostram maior potencialidade em termos de selectividade (CROFT & WAGNER, 1981; THEILING, 1987). Os acaricidas enquanto grupo contêm mais produtos fisiologicamente selectivos do que qualquer outra classe de pesticidas, o que reforça a hipótese da existência de diferenças importantes no modo de actuação destes produtos em ácaros fitófagos relativamente aos seus inimigos naturais. Os reguladores de crescimento de insectos e os biopesticidas são geralmente mais selectivos para os auxiliares do que os pesticidas convencionais. Muitos reguladores de crescimento parecem dotados de selectividade fisiológica, mas porque actuam no sistema hormonal ou enzimático comum a muitos artrópodos tal selectividade deverá ser avaliada caso a caso. Assim, diversos estudos mostraram que, em laboratório, muitos destes produtos são nocivos para os auxiliares, sendo tais efeitos menos pronunciados em condições de campo, provavelmente porque muitos auxiliares abandonam as culturas no estado adulto e porque, nessas condições, a estrutura etária das suas populações varia muito. Nestes casos estar-se-á principalmente em presença de uma situação de selectividade ecológica, que pode ser grandemente afectada pela época de aplicação dos produtos. As diferenças entre produtos com diferentes modos de acção podem também ser importantes. Assim, as bizacilhidrazinas, como a tebufenozida - utilizada no combate a diversas pragas de lepidópteros - tem-se revelado de grande selectividade para a fauna auxiliar. Já outros reguladores de crescimento, como o fenoxicarbe e a piriproxifena são tóxicos para grande número de insectos durante os estados de desenvolvimento embrionário, os últimos estados larvares e a fase reprodutiva (TARLOCHAN et al., 1998).

Os biopesticidas têm despertado grande interesse nos últimos anos devido à dificuldade em alcançar a selectividade para os artrópodos auxiliares com pesticidas convencionais. Bactérias, vírus, fungos, nemátodes e protistas, têm sido exaustivamente testados do ponto de vista da sua selectividade, segurança e viabilidade económica. Muitos destes organismos são relativamente especificos e ocorrem na natureza sem prejudicar os auxiliares. Contudo porque tais organismos podem persistir e multiplicar-se podem ter efeitos substanciais directos nos referidos auxiliares. Por outro lado podem também ser importantes os efeitos indirectos exercidos através da acção sobre as suas presas ou hospedeiros. Os efeitos destes produtos nos auxiliares são difíceis de generalizar. Alguns são provavelmente mais seguros e têm menores efeitos secundários nos artrópodos auxiliares do que os pesticidas convencionais. Outros poderão ter efeitos de longo prazo que não podem ser avaliados pelas técnicas empregues para os pesticidas convencionais. De entre os biopesticidas disponíveis comercialmente os mais largamente utilizados são bactérias, em particular a espécie Bacillus thuringiensis Berliner. Apesar desta bactéria ser altamente selectiva para muitos auxiliares, devido aos mecanismos fisiológicos específicos requeridos para se iniciar a infecção, têm sido observados efeitos letais directos e indirectos de muitas formulações sobre vários daqueles organismos. São também conhecidos efeitos resultantes da ingestão de doses subletais de B. thuringiensis relativamente a vários predadores e parasitóides. Estes incluem redução na produção de ovos, redução no consumo do hospedeiro, redução ou aumento da taxa de parasitismo, redução da longevidade dos adultos, aumento na taxa de desenvolvimento do parasitóide, e alterações no factor sexual. Em relação aos baculovírus, que icluem a maioria dos vírus entomopatogénicos com importância na protecção das culturas, tem-se verificado que, no geral, estes organismos têm um espectro de actividade mais estreito comparativamente aos pesticidas convencionais e existe pouca evidência sobre a ocorrência de toxidade para os auxiliares. A maioria dos efeitos letais e subletais observados foram aparentemente indirectos e relacionados com inadequação do hospedeiro. Todos os efeitos letais observados estiveram confinados a parasitóides imaturos que se desenvolveram em hospedeiros infectados com vírus. A mortalidade foi maior quando os parasitóides efectuaram as posturas em hospedeiros infectados com vírus e decresceu quando o período entre a postura e a infecção do hospedeiro aumentou (LEVIN et al., 1981). Os fungos entomopatogénicos parecem relativamente selectivos sobre os auxiliares embora seja escassas as observações que fundamentam esta suposição (CROFT, 1990). Os resultados da aplicação de nemátodes entomopatogénicos sobre os auxiliares parecem estar dependentes do momento da aplicação e são variáveis para cada caso. Quanto aos protistas, e ao contrário dos outros organismos referidos, parecem capazes de infectar os parasitóides dos seus hospedeiros, interferindo na sua fecundidade e eficácia, pelo que deverão ser usados com precaução.

Em resumo, poder-se-á dizer que as bactérias e protozoários podem causar mortalidade directa nos atrópodos auxiliares, aspecto não tão evidente nos outros grupos de organismos utilizados como biopesticidas. Contudo, em qualquer dos casos parecem ser mais importantes os efeitos indirectos dos referidos produtos, que não são generalizáveis. Os efeitos adversos da utilização de biopesticidas sobre os auxilares poderão, em muitos casos, ser diminuídos ou mesmo evitados através de adequado escalonamento no tempo entre os tratamentos e o período de máxima actividade dos auxiliares (FIGUEIREDO, 1997), por forma a alcançar-se a sua selectividade ecológica.

1.1.2 - Selectividade ecológica topo

A disponibilidade de pesticidas verdadeiramente selectivos relativamente aos diferentes grupos de auxiliares é actualmente escassa. Tal facto, aliado às dificuldades, que cada vez mais se levantam, à obtenção de novos produtos, são razões que conferem grande interesse ao desenvolvimento e uso de formas de actuação capazes de contribuir para se alcançar a selectividade ecológica dos tratamentos. Pretende-se com essas formas de actuação minorar os efeitos negativos de pesticidas de largo espectro de acção, sobre os auxiliares. A selectividade ecológica assenta na exploração de diferenças na biologia e comportamento entre os auxiliares e as suas presas ou hospedeiros, nomeadamente no que se refere ao ciclo biológico, distribuição espacial e hábitos de alimentação e acasalamento.
Na prática, a selectividade ecológica pode ser alcançada de diversas formas, designadamente, através da racionalização das intervenções, da melhoria dos métodos de aplicação, do emprego de produtos em doses mais baixas que o usual e do recurso a pesticidas não persistentes e facilmente degradáveis e da escolha de formulações (AMARO& BAGGIOLINI, 1982).

Racionalização das intervenções - A escolha da época de aplicação dos pesticidas reveste-se da maior importância para assegurar uma selectividade diferencial dos tratamentos no complexo praga/inimigo natural (NEWSOM et al., 1976). Um adequado conhecimento da biologia e comportamento das pragas e dos auxiliares poderá permitir aumentar a selectividade dos pesticidas de largo espectro, ao evitar a sua aplicação nos momentos em que os últimos estão mais activos, ou numa fase de desenvolvimento mais vulnerável .

A importância desta estratégia tem sido observada para numerosos complexos praga/inimigo natural em diversas culturas (CROFT, 1975). Assim, por exemplo, no caso da macieira, a sobrevivência de Apanteles ornigis Weed, parasitóide da mineira-pontuada-das-folhas, Phyllonorycter blancardella (Fabr.), é substancialmente favorecida se as intervenções com oxamil, dirigidas contra a praga forem efectuadas na fase de pré-floração (WEIRES et al., 1982). A mesma estratégia permite assegurar a manutenção das populações de Stethorus punctum Leconte nos pomares da Pensilvânia (EUA), onde o insecto desempenha um papel crucial na limitação populacional do aranhiço-vermelho. Nesta perspectiva, e dadas, por um lado, as vantagens da utilização de insecticidas piretróides no combate a Platynota idaeusalis (Walker), e por outro lado, a nocividade desses produtos relativamente ao auxiliar, restringe-se o emprego dos referidos produtos ao período situado entre meados de Agosto e Setembro, e às situações em que as populações de aranhiço-vermelho não sejam importantes. O emprego do produto é, no entanto, interdito nos meses de Junho e Julho, que correspondem à época de maior actividade do predador (HULL & BEERS, 1985).

Também HULL & STARNER (1983) demonstraram que a realização de um único tratamento contra o afídeo-cinzento-da-macieira, Dysaphis plantaginea Pass., efectuado no início do período de actividade vegetativa da cultura, não só era suficiente para combater a praga, como também permitia que a actividade predadora dos mais importantes inimigos naturais de ácaros e afídeos não fosse perturbada no fim daquele período, quando esses auxiliares estavam activos.

Melhoria dos métodos de aplicação - Embora os tratamentos fitossanitários sejam intencionalmente dirigidos contra os inimigos das culturas, os seus efeitos repercutem-se em diversas áreas adjacentes à cultura, com importância na manutenção dos equilíbrios existentes ao nível do ecossistema agrário.

Na verdade, de acordo com METCALF (1982), na aplicação de insecticidas, somente 25-50% atingem a superfície da planta e menos de 1% atingem a praga a combater.

Para aumentar a eficácia dos tratamentos e, ao mesmo tempo, minorar o seu impacte no complexo de inimigos naturais presentes, torna-se necessário definir a entidade biológica a tratar. Esta definição deverá ser feita com base no conhecimento existente sobre as pragas - no que se refere ao seu comportamento e estragos causados - e sobre os pesticidas - no que respeita ao seu modo de acção (JOYCE et al., 1977). Complementarmente poder-se-á, com base nas informações disponíveis sobre o comportamento dos auxiliares, manipular favoravelmente o método de aplicação dos pesticidas, por forma a que os referidos produtos não se revelem tão desfavoráveis para aqueles organismos. Como exemplo dessa manipulação podem-se referir, as aplicações localizadas nas plantas ou nas culturas, cujos reflexos positivos sobre o papel dos auxiliares tem sido observado em vários casos. Assim, para valorizar a acção do predador S. punctum nos pomares de macieira da Pensilvânia tem-se adoptado um método de aplicação de pesticidas (alternate row-midle technique), no qual apenas um dos lados das árvores é tratado, alternando a sua posição em aplicações sucessivas (HULL et al., 1983). Aplicações localizadas de pesticidas na árvore ou na parcela são também recomendadas contra a mosca-da-azeitona, Bactrocera oleae (Gmel.) e a mosquinha-branca-dos-citrinos, Aleurothrixus floccosus (Maskell), no último caso para permitir a sobrevivência do parasitóide Cales noacki (GARRIDO, 1999).

Por outro lado, verificou-se que, nos casos em que se utiliza carbaril na monda dos frutos, a sobrevivência das populações do ácaro predador T. occidentalis pode ser favorecida, desde que a aplicação do produto seja restringida à parte superior e periférica das árvores, dado que nessa altura, o auxiliar se encontra preferencialmente na região mais interna das mesmas (HOYT, 1969).

Também na cultura do algodão, WATSON (1975) refere que a limitação da aplicação de azinfos-metilo aos dois terços inferiores das plantas, possibilita que certas espécies predadoras do género Orius se instalem na parte superior das mesmas.

De modo similar na macieira, quando seja necessário usar o vamidotião para combater o pulgão-lanígero, recomenda-se tratar apenas os dois terços inferiores da copa das árvores, por forma a permitir a sobrevivência dos ácaros predadores da família dos fitoseídeos, na sua região superior.

Utilização dos pesticidas em doses mais baixas do que o usual - Uma vez que a toxidade de uma dada substância química está directamente relacionada com a sua dose de aplicação, a redução dessa dose pode ser uma estratégia importante no que respeita à manutenção das populações dos auxiliares. Do ponto de vista da protecção das culturas, essa redução pode ser vantajosa, mesmo em situações em que origine redução na percentagem de mortalidade provocada na praga, pois a manutenção de uma parte da biocenose correspondente a esta, ao possibilitar a sobrevivência de auxiliares, permite a manutenção de equilíbrios mais estáveis no ecossistema e a obtenção de resultados mais duradouros no combate às espécies nocivas. Recorde-se aqui que o objectivo de uma protecção das culturas racional, consiste, não na erradicação das populações das espécies nocivas, mas sim a manutenção dessas populações a níveis de abundância aos quais não causem prejuízos.

Naturalmente que a decisão sobre a redução das doses de utilização dos pesticidas depende da existência de conhecimentos adequados sobre a acção de diferentes pesticidas e doses de aplicação, no complexo praga/inimigos naturais, não sendo aconselhável adoptar essa estratégia se não estiver disponível tal tipo de informação (JACAS & VIÑUELA, 1993).

São diversas as situações referidas na bibliografia, em que a adopção desta estratégia se tem revelado vantajosa. Assim, HOYT (1969) verificou que a aplicação de azinfos-metilo em doses 50% a 60% inferiores às habituais, para além de ainda combater satisfatoriamente o bichado-da-macieira, possibilitava também a sobrevivência de parte da população do ácaro predador T. occidentalis. O mesmo tipo de actuação, permitiu, na Nova Zelândia, reduzir o número de intervenções efectuadas contra o aranhiço-vermelho, P. ulmi ao possibilitar a sobrevivência do fitoseídeo T. pyri, um dos seus principais predadores (COLLYER, 1976).

POHLING (1989) refere outro exemplo que ilustra bem a possibilidade de se reduzir a dose de aplicação de um pesticida, sem deixar de se combater eficazmente a praga visada, além de se conseguir uma maior selectividade do tratamento em relação à fauna útil. De facto, este autor verificou que diminuindo em mais de sete vezes a dose do insecticida piretróide fenvarelato ainda se conseguiam bons resultados no combate ao afídeo Metopolophium dirhodum (Walker), e aumentava-se até cerca de 75% a selectividade relativamente ao sirfídeo Episyrphus balteatus (DeGeer), e ao neuróptero Chrysoperla carnea (Steph.). Além disso, com a adopção desta estratégia, que não tinha efeitos tão drásticos na praga, era possível manter na cultura, as populações dos seus predadores, que não eram obrigadas a emigrar em busca de novas presas.

O efeito dos pesticidas nos inimigos naturais pode ser minorado reduzindo a dose de aplicação. O uso de metade ou um quarto das doses de utilização em geral assegura adequada protecção ao mesmo tempo que reduz a mortalidade dos inimigos naturais.

Recurso a pesticidas não persistentes e facilmente degradáveis - O recurso a produtos de curto efeito residual, desde que utilizados selectivamente no tempo e no espaço, é também um aspecto que pode favorecer a sobrevivência dos inimigos naturais das pragas das culturas. Assim, por exemplo, HULL et al., (1978) verificaram que tratamentos localizados com metomil - um carbamato muito tóxico mas pouco persistente - não impedia que a população de adultos do predador S. punctum continuasse a crescer e limitasse a praga de aranhiço-vermelho, apesar das aplicações desse produto reduzirem o número de larvas, dotadas de menor mobilidade. Pelo contrário, HULL & BEERS (1985), citando HULL (dados não publicados) referem que o piretróide fenvarelato - de longo efeito residual - pode afectar o movimento dos adultos de S. punctum para as árvores tratadas durante pelo menos um mês.

Escolha de formulações - A escolha de formulações é outra forma de se conseguir a selectividade, uma vez que o tipo de formulação pode limitar ou direccionar a distribuição dos resíduos dos pesticidas. Diversos estudos evidenciam a possibilidade de realização de uma selectividade ecológica, através do uso de iscos, tratamento de sementes, grânulos e encapsulados. De notar que pequenas variações no tipo de adjuvantes utilizados em diferentes tipos de formulações podem influir na toxidade de um dado pesticida para os auxiliares. Assim FRANZ & FABRIETIUS (1971) verificaram que as taxas de parasitismo do parasitóide oófago Trichogramma cacoecia em ovos de Sitotroga cerealella, variaram entre 2 e 89% para várias formulações de zinebe com idêntico teor de substância activa. Estes dados sugerem que, ou as próprias formulações foram tóxicas para o auxiliar ou ocorreu algum tipo de interacção entre o pesticida e a formulação.

O uso de iscos e tratamento de sementes podem reduzir drasticamente os resíduos de pesticidas no ambiente, para além de permitirem localizar os pesticidas nos locais onde se pretende que actuem. Contudo, nalguns casos os auxiliares podem ser afectados pelo seu emprego. Por exemplo, os investigadores têm verificado que os iscos tendo por base proteína hidrolisada atraem uma variedade de predadores, nomeadamente das famílias dos sirfídeos, crisopídeos e coccinelídeos.

Actualmente desperta grande interesse a possibilidade do uso de atractivos, na técnica de atracção em massa e morte, em estudo para pragas como a mosca-da-azeitona, B.oleae, e o bichado-da-macieira, Cydia pomonella L. No primeiro caso utilizam-se dispositivos constituídos por um saco de polietileno contendo um atractivo alimentar - bicarbonato de amónio -, coberto por papel verde impregnado com uma solução de deltametrina e adicionado de uma cápsula contendo uma substância paraferomonal (BENTO et al., 1998). No segundo caso distribuem-se no tronco e pernadas principais das árvores algumas gotas de uma formulação emulsionável de um pesticida com forte acção de choque (permetrina ou cipermetrina) com um atractivo sexual (ALMA et al., 2000).

KHALIL et al. (1976), observaram que o tratamento de sementes com grânulos sistémicos de aldicarbe, dissulfotão e tiometão, para combater lagartas do género Heliothis spp. em campos de algodão no Egipto, não afectou significativamente as populações de diversos auxiliares, incluindo coccinelídeos, crisopídeos, antocorídeos, e aranhas, ao passo que aplicações foliares destas substâncias nas mesmas doses dizimaram os auxiliares.

Diversos estudos têm demonstrado que formulações na forma de pós polvilháveis são mais tóxicas para os auxiliares do que pós molháveis.

A encapsulação geralmente aumenta a selectividade dos pesticidas para os auxiliares, mas levanta outros problemas. Assim, os microencapsulados com a mesma dimensão dos grãos de pólen são facilmente transportados para as colmeias e podem ser causa de graves envenenamentos (JOHANSEN, 1977 citado por AMARO& BAGGIOLINI, 1982).

Os insecticidas sistémicos, particularmente eficazes contra artrópodos sugadores, parecem muito interessantes do ponto de vista da selectividade - tanto fisiológica como ecológica - relativamente a espécies auxiliares. Assim, SOL (1961), verificou que a aplicação de demetão-metilo na região inferior de plantas de beterraba sacarina, permitia combater o afídeo-preto-da-faveira, Aphis fabae, sem afectar significativamente as populações de sirfídeos, coccinelídeos, e crisopídeos. Por outro lado, DAVIES (1982), na Austrália, observou a ocorrência de selectividade ecológica em tratamentos efectuados com demetão-S-metilo, contra o afídeo Brevicoryne brassicae, em couve-de-bruxelas. Assim, os afídeos parasitados por Diaeretiella rapae, que já não se alimentavam, deslocavam-se para debaixo das folhas inferiores das plantas escapando à acção directa do pesticida, enquanto os insectos sãos, que se alimentavam das plantas tratadas eram afectados pelo produto.

 
1.2 - Limitação natural através da criação de condições ambientais favoráveis aos entomófagos topo

As relações de equilíbrio estabelecidas entre os artrópodos fitófagos das culturas e os seus inimigos naturais dependem de uma multidão de interacções que se exercem entre os diferentes componentes do ambiente. Estas interacções são fortemente condicionadas pelas actividades humanas, num sentido que pode favorecer quer o desenvolvimento dos organismos nocivos, situação em que são negativas, quer o desenvolvimento dos organismos úteis, situação em que são positivas. Referem-se em seguida alguns tipos de actuação que pela sua influência favorável no desenvolvimento das populações dos últimos contribuem para valorizar a sua acção na limitação natural das pragas.

 
1.2.1 - Manutenção da diversidade vegetal

A manutenção da diversidade vegetal do ecossistema é, frequentemente, uma condição necessária ao fomento da acção dos artrópodos auxiliares, uma vez que muitos destes organismos dependem da existência de diferentes plantas, que lhes pro-porcionam, designadamente: a) hospedeiros alternativos, necessários para sobreviverem na ausência do hospedeiro principal e/ou completarem o seu desenvolvimento; b) determinadas substâncias de origem vegetal ou animal, que contribuem para aumentar a sua fecundidade e longevidade; c) locais de abrigo, para hibernarem, puparem, efectuarem as posturas ou mesmo para se refugiarem, quer de condições ambientais desfavoráveis quer dos seus próprios inimigos naturais.

a) Fonte de hospedeiros alternativos - Existem situações em que os estados de desenvolvimento adequados do hospedeiro não estão disponíveis na época ou no local certos para permitir a sobrevivência dos auxiliares ao longo do ano. Neste caso, a sobrevivência destes organismos pode, muitas vezes, ser assegurada à custa de hospedeiros ou presas alternativos que se desenvolvem noutras espécies vegetais.

Um exemplo clássico de uma situação deste tipo é apresentado por HAMBLETON (1944) relativamente ao Vale de Cañete no Perú, onde, na sequência da instalação de grandes áreas de algodão em regime de monocultura, a lagarta Heliothis virescens (Fabr.), causou reduções na produção que atingiram valores da ordem dos 30-40%. Face às dificuldades surgidas no combate da praga, os agricultores foram encorajados a instalar culturas de Inverno, como milho, linho, feijão e batata doce, que permitiam a manutenção de populações de diversos lepidópteros (incluindo H. virescens), a níveis de abundância sem significado económico. Estas espécies constituíram os hospedeiros necessários à sobrevivência, durante o Inverno, de populações de predadores e parasitóides que combatiam a praga no algodão, durante o seu longo ciclo cultural (Setembro a Maio).

Uma situação do mesmo tipo é conhecida para o caso da cultura da vinha, na região da Califórnia, onde se tem verificado que as parcelas em cuja vizinhança existem moitas de Rubus ursinus e Rubus procerus, não são praticamente atacadas pela cigarrinha Erithroneura elegantula Osborn - uma das pragas com maior importância económica na região. Na base deste facto, sabe-se estar o parasitóide Anagrus epos (Girault), que se multiplica à custa de ovos de cicadelídeos. Acontece que E. elegantula passa o Inverno no estado de adulto, e por isso, não permite a sobrevivência do seu inimigo natural. Em contrapartida, nas plantas do género Rubus vive uma cigarrinha, não nociva para a vinha, e que proporciona ovos durante o Inverno ao parasitóide. Nas parcelas em cuja vizinhança existe disponível este hospedeiro, o auxiliar exerce a sua acção limitante sobre o fitófago, desde a realização das primeiras posturas (em Abril), impedindo a ocorrência de prejuízos, o que não sucede noutras vinhas (FLAHERTY et al., 1978; FLAHERTY et al., 1981; KIDO et al., 1983). Recentemente, entomologistas californianos observaram que os pomares de ameixoeiras podem desempenhar um papel semelhante ao das plantas do género Rubus, na luta contra E. elegantula, porque neles se mantem Edwardsiana prunicola, uma cigarrinha muito pouco nociva à ameixoeira e que permite a sobrevivência de A. epos durante o Inverno (KIDO et al., 1983).

Por outro lado, estudos feitos em Inglaterra mostraram que a existência de urtigas, Urtica dioica, na vizinhança das culturas pode desempenhar um papel importante no combate a pragas de afídeos, porque, não sendo tal planta dada como hospedeira de espécies nocivas, favorece o desenvolvimento de populações de inimigos naturais desses fitófagos, por lhe facultar hospedeiros alternativos adequados (psilídeos e afídeos). A acção destes auxiliares ao nível das culturas pode ser incrementada se, depois de se permitir a sua multiplicação nas urtigas, durante a Primavera, se proceder, em meados de Junho, ao corte destas plantas, para obrigar os entomófagos a colonizar as áreas cultivadas (PERRIN, 1975).

Em França também foi ensaiado um método de luta biológica contra afídeos do tomateiro, em estufa, que se baseia no princípio da manutenção de diversidade vegetal. Assim, depois de várias tentativas mal sucedidas de utilização do parasitóide Praon volucre, para combater aquelas espécies nocivas, conseguiu-se atingir o objectivo pretendido, colocando nas estufas, roseiras infestadas com afídeos da espécie Macrosiphum rosae (Linné), inofensiva para o tomateiro, mas que possibilita a instalação de P. volucre (MAISONNEUVRE et al., 1989).

b) Fonte de suplementos alimentares de origem vegetal ou animal - A fecundidade e longevidade de muitos parasitóides e predadores pode ser consideravelmente incrementada à custa de suplementos alimentares de origem vegetal ou animal (néctar, pólen e meladas), que, muitas vezes, não estão disponíveis na ausência de diversidade vegetal (JOURDHEUIL, 1974).

Assim, na região de Massachusetts, nos EUA, recomenda-se a rotação milho doce/batata para fomentar a acção do coccinelídeo predador Coleomegilla maculata (DeGeer) relativamente ao escaravelho-da-batateira, na altura em que surge a primeira geração da praga, pois o milho favorece a multiplicação de C. maculata, designadamente através do pólen que lhe proporciona (VAN DRIESCHE & FERRO, 1989). Uma situação análoga à referida é apresentada por McMURTRY & JOHNSON (1964), que verificaram que a abundância do ácaro predador Amblyseius hibisci (Chant), em pomares de abacateiro da Califórnia, estava relacionada com a disponibilidade de pólen. Por outro lado, LEIUS (1967) observou que as taxas de parasitismo de ovos e pupas de Malacosoma americana e de lagartas de bichado-da-macieira, era superior em pomares que continham abundantes flores produtoras de néctar relativamente àqueles em que essa vegetação era escassa. Plantas com flores miúdas, nomeadamente algumas espécies da família das umbelíferas são as melhores fontes de néctar para parasitóides de pequenas dimensões e são também adequadas para alguns predadores. Na perspectiva referida, estão já disponíveis comercialmente a nível internacional, sementes de misturas de plantas produtoras de flores destinadas a atrair e alimentar insectos úteis.

c) Locais de abrigo - A sobrevivência dos auxiliares pode, em certos casos, ser incrementada pela existência, nas culturas ou no seu exterior, de diferente vegetação que lhes proporciona abrigo para hibernarem, puparem, efectuarem as posturas ou mesmo para se refugiarem, quer de condições ambientais desfavoráveis quer dos seus próprios inimigos naturais.

Um dos exemplos melhor conhecidos da importância desta vegetação é talvez o da fauna auxiliar relativa à psila-da-pereira. De facto, sabe-se que, quando os pomares de pereira estão rodeados de vegetação arbustiva diversificada e abundante, os predadores e parasitóides mais eficazes aparecem rapidamente nas árvores e desempenham um papel de protecção muito importante. Pelo contrário, quando o envolvimento arbustivo é reduzido ou inexistente - o que sucede por exemplo no caso dos pomares rodeados de vinha - os auxiliares aparecem tardiamente e em números muitas vezes insignificantes (ATGER et al., 1979; GEOFFRION, 1984).

Na Suíça, Boller et al. (1988) observaram que as plantas de Rubus fruticosus possuem grandes populações do ácaro predador Typhlodromus pyri (Scheuten) e que a presença de sebes desta planta na vizinhança das vinhas, se localizadas na direcção dos ventos dominantes, contribui para uma rápida colonização das parcelas de onde as populações do auxiliar tiverem sido dizimadas por tratamentos fitossanitários.

 
1.2.2 - Práticas culturais diversas topo

Muitas práticas culturais podem contribuir para valorizar a acção dos auxiliares na limitação das pragas das culturas, desde que sejam orientadas de maneira favorável à sua actividade. É o caso, nomeadamente, das mobilizações, da rega, da aplicação de fertilizantes, da data de sementeira ou plantação, do espaçamento entre linhas, da densidade de sementeira, e das técnicas de manutenção da superfície do solo. Naturalmente que as práticas referidas devem ser ponderadas de acordo com o seu impacto não só nas populações dos auxiliares como nas das pragas. Práticas que favorecem os inimigos naturais não reduzem obrigatoriamente o desenvolvimento das pragas. Por exemplo a redução da mobilização favorece os auxiliares mas também contribui para o desenvolvimento de pragas como a pirale-do-milho.

Os trabalhos de preparação do solo, designadamente as mobilizações, modificam os habitats onde muitas pragas e auxiliares passam parte do seu ciclo. As lavouras profundas em particular, são desaconselháveis em diversas situações, por afectarem negativamente a sobrevivência dos entomófagos. Assim, estudos efectuados na Rússia, mostraram que a densidade populacional de um calcidídeo parasitóide específico do gorgulho-da-beterraba, passava de 200 000 indivíduos por hectare, para algumas centenas, quando se efectuavam lavouras profundas em lugar de superfíciais (D`AGUILAR, 1977).

Por outro lado, em Michigan (EUA) tem-se verificado que a mobilização dos campos de cereais após a sua colheita tem efeitos negativos na limitação natural da lema-dos-cereais, Oulema melanopus (L.), por destruir as populações de larvas e pupas de Tetrastichus julis (Walker) - um dos seus mais importantes parasitóides - que vivem no solo. Para minorar este problema, STEHR & HAYNES (1972) sugerem a não mobilização de parte dos campos de restolho, antes da emergência do parasitóide, na Primavera. Também se recomenda preferência pelas gradagens, que têm menor efeito negativo nas populações destes auxiliares do que as mobilizações efectuadas com charruas (HERZOG & FUNDERBURK, 1985).

Ainda que de forma diferente, os trabalhos do solo também podem afectar negativamente as populações de auxiliares, ao originarem a deposição de pó sobre os orgãos vegetais. Assim, na Califórnia, FLAHERTY et al. (1971) referem que o pó proveniente das frequentes mobilizações efectuadas para destruir as infestantes da vinha provoca a destruição dos ácaros predadores de tetraniquídeos, sem afectar os fitófagos que estão protegidos pela pilosidade das folhas e por teias. O problema pode ser minorado pela adopção de um programa alternativo de combate às infestantes, no qual apenas são feitas duas mobilizações de Primavera, seguidas no Verão, de três ou quatro cortes da vegetação da entre-linha. Por outro lado, tem-se verificado que a deposição de pó na folhagem de citrinos está, por vezes, associada ao desenvolvimento de pragas como cochonilhas (DeBACH, 1958), em resultado, segundo se admite da interferência negativa na actividade da fauna auxiliar. Assim, a existência de pó parece reduzir a actividade dos himenópteros parasitóides na procura de hospedeiros e na realização de posturas, pelo tempo que perdem a limpar-se. O efeito do pó nos predadores não é bem conhecido, mas Fleschner (1958) observou que o coccinelídeo predador Stethorus picipes Casey tinha menor capacidade de procura de presas nas folhas com pó e sofria maior mortalidade por dessecação.

Para além do referido, a existência de pó pode contribuir para o desenvolvimento de pragas ao originar temperaturas mais altas nos órgãos expostos a radiação solar (DRIESCHE & BELLOWS, 1996).

A rega, pela influência que tem nos valores de humidade relativa e temperatura registados, quer ao nível da canópia das plantas quer sob esta, pode condicionar fortemente o papel dos auxiliares artrópodos na limitação das pragas. São várias as situações em que se tem evidenciado a importância desta prática, sob o ponto de vista referido. Assim, e no que diz respeito às pragas de ácaros, sabe-se que a alimentação, postura e desenvolvimento de muitas espécies fitófagas são negativamente afectados por valores de humidade relativa elevados, o mesmo não sucedendo relativamente aos seus predadores (HERZOG & FUNDERBURK, 1985). Resultados favoráveis da rega na limitação de pragas de ácaros são referidos, por exemplo, para o caso do milho, nas Altas Planícies do Texas, onde se tem verificado que a adopção dessa prática reduz a importância de Oligonychus pratensis (Banks) (CHANDLER et al., 1977). Resultados similares também são mencionados relativamente a Tetranychus pacificus, importante praga da vinha na Califórnia (FLAHERTY et al., 1981).

A influência benéfica da rega na limitação de pragas é ainda referida para o caso de afídeos. Assim, estudos realizados em Inglaterra mostraram que a utilização de abundante rega em couve de Bruxelas, afectava negativamente a taxa de multiplicação do afídeo-cinzento-da-couve, Brevicoryne brassicae (L.), e do afídeo-verde-do- pessegueiro, Myzus persicae (Sulz.), realçando, deste modo, o papel dos seus inimigos naturais (van EMDEN & WEARING, 1965). Por outro lado, tem-se verificado que a rega é necessária para o estabelecimento de espécies parasitóides de afídeos em culturas realizadas em regiões geograficamente áridas, como é o caso do Médio Oriente (STARY & ERDELEN, 1982).

A aplicação de fertilizantes pode igualmente afectar as populações quer das pragas quer dos seus inimigos naturais. Contudo, os estudos realizados sobre a influência desta prática no papel desempenhado pelos auxiliares entomófagos parecem ser muito escassos. Um exemplo dessa influência é referido por CHIANG (1970), que verificou que a eficácia de um ácaro predador relativamente a larvas de Diabrotica, em milho, era fortemente incrementada pela aplicação de matéria orgânica ao solo.

Outras práticas culturais, como a densidade de sementeira, a data de sementeira ou plantação e o espaçamento entre linhas, também podem interferir no papel desempenhado pelos auxiliares na limitação das pragas das culturas, ao alterar a humidade relativa, a temperatura e a penetração da luz solar em diferentes níveis da cultura (HERZOG & FUNDERBURK, 1985).

Técnicas de manutenção da superfície do solo - a forma como é mantida a superfície do solo tem implicações directas na produtividade das culturas e na regularidade das produções. Nesta perspectiva desperta interesse, sobretudo nas regiões mediterrânicas, o sistema de manutenção da superfície do solo com cobertura vegetal recorrendo a espécies semeadas ou espontâneas, pelos efeitos exercidos em particular na disponibilidade de água para as plantas e na protecção do solo contra a erosão hídrica.

A influência da cobertura do solo na valorização da acção dos artrópodos auxiliares difere com as culturas e locais, sendo mais provável que tal influência se faça sentir sobre espécies generalistas do que sobre as que possuem hábitos alimentares mais especializados. Nalguns sistemas culturais a cobertura do solo torna o ambiente mais favorável para predadores que vivem no solo, como carabídeos e estafilinídeos, ou que podem aí obter as suas presas, como coccinelídeos e sirfídeos. Por exemplo, em Inglaterra, O´DONNELL & CROAKER (1975) e RYAN et al. (1980) verificaram que a sementeira de trevo (Trifolium sp.) na entrelinha de plantações de couves melhorava a actividade predadora de artrópodos predadores que viviam no solo (principalmente carabídeos e estafilinídeos), resultando em menores populações de mosca-da-couve, Delia brassicae Weidemann, e de outras pragas.

A cobertura de solo tem sido usada muito frequentemente em fruteiras para melhorar a acção de inimigos naturais de ácaros tetraniquídeos e de afídeos. Estudos efectuados em pomares de macieira em Michigan (USA) mostraram que a adequada regulação das populações de aranhiço-vermelho, P. ulmi, por meio do fitoseídeo Amblyseius fallacis, estava relacionada com a existência de populações do predador no início da Primavera na vegetação que cobria o solo (MCGROARTY & CROFT, 1975). Nalgumas regiões da China, tem-se verificado que a protecção contra aranhiço-vermelho-dos-citrinos, Panonychus citri (McGregor) é melhorada pelo uso de Ageratum conyzoides L. na cobertura do solo dos pomares (ZHANG & OLKOWSKI, 1989). Assim por um lado, o pólen desta planta e os psocídeos aí existentes constituem alimento para ácaros predadores do género Amblyseius sp., promovendo o desenvolvimento das suas populações. Por outro lado, a cobertura do solo diminui a temperatura e eleva a humidade relativa, tornando, em regiões secas, o habitat mais favorável para Amblyseius ehari Amstai & Swirski. Na região sudeste de Queensland, na Austrália, o uso da gramínea Chloris gayana Kunth a cobrir o solo dos pomares de citrinos favorece a acção de Amblyseius victoriensis (Wormersley), um predador efectivo do eriofídeo Tegolophus australis Keifer, porque A.victoriensis alimenta-se em pólen desta gramínea (SMITH & PAPACEK, 1991). HALLEY & HOGUE (1990) verificaram em pomares de macieira, na Columbia Britânica, Canadá, que a cobertura do solo permitia, nalguns anos, reduzir em cerca de quatro vezes as populações de afídeos (HALLEY & HOGUE, 1990).

 
1.2.3 - Outras medidas topo

A sobrevivência e reprodução dos artrópodos auxiliares pode, em certos casos, ser melhorada facultando-lhe directamente alimento, hospedeiros ou abrigo. Os princípios subjacentes à adopção destas medidas são idênticos aos que estão na base da prática da manutenção de vegetação de cobertura no solo e na bordadura das culturas, também destinada a aumentar os recursos anteriormente referidos. Contudo, no presente caso tais recursos são facultados directamente aos auxiliares e não através de modificações operadas na vegetação.

Muitas espécies auxiliares necessitam para o seu desenvolvimento e reprodução de suplementos alimentares contendo hidratos de carbono e proteínas. Na natureza, estas substâncias podem ser obtidas a partir de meladas de homópteros, néctar e outras substâncias de origem vegetal ou mesmo de fluídos do corpo de presas ou hospedeiros. Quando as substâncias em causa sejam escassas ou não estejam disponíveis nas épocas adequadas poder-se-á melhorar a eficácia dos auxiliares fornecendo-as artificialmente.

A disponibilidade de pólen aumenta as taxas de desenvolvimento de alguns fitoseídeos (MCMURTRY & SCRIVEN, 1964), e o número dos que atingem o estado adulto (OSAKABE, 1988). KENNET et al., (1979) verificaram, em citrinos que, a um aumento da concentração de pólen de tabua, Typha latifolia L., correspondia maior densidade populacional do ácaro predador Amblyseius hibisci (Chant). A aplicação artificial de pólen de tabua ou cameleira, Camelia sinensis (L.) O.Kuntze, parece assim ser um meio de aumentar as densidades populacionais de algumas espécies de ácaros predadores da família dos fitoseídeos e de melhorar a sua eficácia relativamente a espécies fitófagas.

Estudos efectuados na Califórnia, mostraram que a pulverização de monoculturas regadas com meladas e pólen permitiu antecipar a época de início de postura de crisopídeos e coccinelídeos existentes nas parcelas, o que teve como consequência minorar a importância dos ataques de afídeos em luzerna e de uma lagarta do algodão, nesta cultura (HAGEN et al., 1970).

Em Massachussets, o himenóptero Edovum puttleri Grissell, um parasitóide de ovos do escaravelho da batateira é ineficaz na fase inicial do ciclo cultural da batateira quando não existem afídeos na cultura capazes de lhe facultarem meladas (IDOINE & FERRO, 1990). Em tais circunstâncias a actividade do auxiliar poderá ser melhoradas através da aplicação de substâncias à base de açúcar ou melaço.

A disponibilização de abrigos artificiais para auxiliares artrópodos é uma prática utilizada em França há vários anos para melhorar a sobrevivência, durante o Inverno, de coccinelídeos, designadamente da espécie Semiadalia 11-notata. De acordo com D`AGUILAR et al. (1977), tal tipo de actuação terá permitido duplicar ou triplicar a sobrevivência do auxiliar em causa. Esta prática também é mencionada relativamente à Carolina do Norte, onde LAWSON et al. (1961) referem terem-se conseguido reduções substanciais em populações de Manduca sexta (L.) em tabaco, como resultado da instalação de abrigos para himenópteros predadores do género Polistes, na proximidade das parcelas culturais. No mesmo sentido, utilizam-se ninhos artificiais feitos de sacos de polietileno para promover o desenvolvimento de formigas da espécie Dolichoderus thoracicus Smith em plantações de cacau na Malásia (HEIRBAUT & VAN DAMME, 1972) e canas ocas, noutras regiões, para aumentar a densidade populacional de forfículas em fruteiras (SCHONBECK, 1988).

 
2 - Enriquecimento artificial das biocenoses agrárias topo
 
1.3.1 - Aclimatação

Também designada luta biológica clássica, a aclimatação é considerada o método de luta biológica mais requintado, e foi também o primeiro a ser utilizado, pois os meios e técnicas que requer para ser posta em prática são relativamente simples e pouco dispendiosos (ONILLON, 1992a).

Esta modalidade de utilização dos artrópodos auxiliares é utilizada sobretudo no combate a pragas introduzidas acidentalmente em novas regiões, que não vêm, em geral, acompanhadas do seu complexo de auxiliares, e relativamente às quais - em resultado da especificidade alimentar da maioria dos organismos - há pouca probabilidade de existirem, na região de introdução, auxiliares capazes de se lhe adaptarem. Tal facto não exclui a possibilidade de ser utilizada na luta contra pragas indígenas que careçam de inimigos naturais eficazes, ou em situações em que, devido a uma intensificação da agricultura, estes organismos tenham sido eliminados (GREATHEAD & WAAGE, 1983).

Este processo de luta biológica é particularmente adequado para o combate de pragas com uma taxa de reprodução baixa a moderada e que não causam estragos directos às culturas (DeBACH, 1964). Por outro lado, é aconselhável em culturas em que a maior parte das pragas são limitadas naturalmente e nas quais, por razões de ordem económica ou outras, o uso de insecticidas e a adopção de outras medidas perturbadoras são mínimos (HUFFAKER, 1985).

A aclimatação, enquanto processo de luta contra pragas do meio agrícola, tem registado diversos casos de sucesso, entre os quais se destacam os obtidos no combate a cochonilhas e aleirodídeos (MILAIRE, 1983). Alguns exemplos que ilustram bem esse sucesso, relativamente às primeiras, são os do emprego de Rodolia cardinalis na luta contra a icéria, de Cryptolaemus montrouzieri contra a cochonilha-algodão, de Chilocorus bipustulatus L. contra a cochonilha-da-tamareira, e de Prospaltella perniciosi Tower na luta contra a cochonilha-de-S.Jose. No que respeita ao combate de aleirodídeos, pode-se referir a utilização recente, da estirpe chilena de Cales noacki, que tem contribuído para solucionar os problemas provocados pela mosca-branca-dos-citrinos Aleurothrixus floccosus (D`AGUILAR et al., 1977).

Em Portugal os trabalhos visando a aclimatação de espécies auxiliares têm uma longa tradição, pois o seu início data já de 1897, quando se fez a introdução de R. cardinalis para combater a icéria, o que constituíu o primeiro caso de aplicação da luta biológica clássica na Europa (AMARO, 1992; 1994). A partir de então, registaram-se diversas outras iniciativas, embora, em geral, de natureza mais ou menos esporádica. Entre estas iniciativas merece uma ênfase especial, a introdução, em 1977, de C. noacki para combater a mosca-branca-dos-citrinos (VIEIRA, 1980).

O princípio básico da aclimatação consiste em introduzir, numa região recentemente invadida por uma dada praga, a ou as espécies entomófagas que, no país de origem, asseguram, de forma satisfatória, a regulação das suas populações. Para ter êxito, a aplicação deste processo de luta depende da realização de um conjunto de acções que, em termos gerais, podem ser englobadas em três fases distintas: investigação, pré-desenvolvimento e desenvolvimento (AMARO & BAGGIOLINI, 1982). A primeira destas fases tem por objectivo averiguar a viabilidade deste processo de luta, relativamente ao caso em estudo. Nesse sentido, começa por se fazer uma recolha do auxiliar no país de origem do fitófago, com vista à sua importação. Esta actividade nem sempre se revela fácil, pois, por vezes, o habitat de origem da praga recentemente introduzida não é conhecido, ou se é, o inventário dos auxiliares pode ainda não estar feito (ONILLON, 1992a).

Depois de efectuada a importação dos entomófagos, estes devem ser recebidos numa unidade de quarentena, que permita conhecer o estado sanitário do material biológico, assegurando que o mesmo é constituído unicamente por espécies úteis, eficazes e suficientemente específicas. Para isso, é necessário eliminar todo o material biológico indesejável que possa ter vindo com os entomófagos nos fragmentos vegetais, como por exemplo, outras pragas ainda não introduzidas, agentes fitopatogénicos e sobretudo inimigos naturais dos referidos entomófagos, como é o caso dos hiperparasitóides (FISHER, 1964; STEHR, 1982; ONILLON, 1992a). As instalações onde se processa toda esta actividade devem, assim, estar especialmente projectadas para minorar o risco de introdução dessas espécies indesejáveis (FISHER, 1964; FISHER & FINNEY, 1964).

Por outro lado, torna-se necessário estudar os diversos atributos biológicos e ecológicos que caracterizam os auxiliares entomófagos. Neste âmbito, são particularmente importantes os parâmetros referentes à fecundidade, à longevidade e ao factor sexual, em diferentes condições abióticas e bióticas. Igualmente importantes são os parâmetros referentes à capacidade de procura e à especificidade alimentar das espécies. Aspectos negativos, como por exemplo, a possibilidade de o insecto se comportar como hiperparasitóide, também são analisados.

Seguidamente, procede-se à multiplicação do entomófago em locais condicionados do insectário, com apoio nos conhecimentos adquiridos anteriormente sobre as suas necessidades alimentares e exigências ambientais. Refira-se que o facto de o auxiliar não possuir uma especificidade alimentar estrita pode constituir uma característica vantajosa do ponto de vista da sua multiplicação, na medida em que tal multiplicação poderá ser feita à custa de um hospedeiro ou presa alternativos que assegurem um rendimento máximo a essa operação (AMARO & BAGGIOLINI, 1982).

Ainda enquadrado no âmbito da investigação, procede-se depois à largada dos entomófagos em pequenas parcelas experimentais com vista a avaliar a sua eficácia. É com base neste tipo de experimentação que devem ser determinadas as modalidades de introdução do auxiliar na cultura, designadamente, épocas, doses e frequência. É claro que, para concretizar estes objectivos, é necessário dispôr de conhecimentos sobre o estado de desenvolvimento da praga, que apresenta maior vulnerabilidade, e sobre os métodos de amostragem mais adequados para estimar a densidade das suas populações.

Depois de obtidos os conhecimentos necessários sobre o entomófago em estudo, procura-se na fase seguinte (pré-desenvolvimento), generalizar os resultados disponíveis, a um maior número e maior área de parcelas experimentais. Para tal, torna-se necessário dispôr de uma tecnologia avançada, que permita produzir os entomófagos a um nível semi-industrial (AMARO & BAGGIOLINI, 1982).

Por último, na fase de desenvolvimento distribuem-se ao utilizador os entomófagos produzidos. Naturalmente que esta fase só deverá ser posta em prática se for possível produzir tais auxiliares em condições economicamente vantajosas (AMARO & BAGGIOLINI, 1982).

Como é compreensível, a complexidade do processo associado à aclimatação de auxiliares, aqui descrita em traços gerais, justifica-se plenamente, não só em virtude dos riscos envolvidos na introdução de qualquer organismo numa nova região, mas também para aumentar a probabilidade de se conseguirem obter os resultados pretendidos com a referida introdução

 
2.2 -Tratamento biológico topo

Quando os entomófagos estão ausentes da cultura, ocorrem demasiado tarde ou em números muito baixos para assegurar a sua adequada protecção, poderá proceder-se à introdução daqueles auxiliares no ecossistema, a uma determinada cadência, na forma de um tratamento biológico. A ideia de enriquecer quantitativamente os ecossistemas agrários em auxiliares entomófagos é antiga, mas a sua concretização prática foi, durante muito tempo dificultada pela inexistência de conhecimentos necessários à criação desses organismos. Assim sendo, pouco mais se podia fazer do que colher os auxiliares e proporcionar-lhes condições de sobrevivência durante as estações desfavoráveis. Com o desenvolvimento das técnicas de criação em massa de entomófagos, registado por volta dos anos 30, criaram-se, também, condições para o desenvolvimento das técnicas de luta por meio de largadas periódicas de auxiliares, cuja aplicação experimentou, desde então, progressos importantes (ONILLON, 1992a).

Actualmente o tratamento biológico utiliza-se contra diversas pragas agrícolas, podendo ser feito segundo diferentes modalidades: inoculativo/sazonal, inundativo/ periódico e suplementar.

 
2.2.1 -Tratamento biológico inoculativo/sazonal

O tratamento biológico inoculativo ou sazonal é realizado com o intuito de aumentar a densidade populacional do entomófago presente na cultura de forma a aumentar a sua eficácia, contando com a sua multiplicação e estabelecimento. É, assim, uma modalidade na qual se utiliza um número relativamente pequeno de indivíduos - algumas centenas a poucos milhares por hectare - que, uma vez na cultura, se reproduzem, originando mais do que uma geração. São estes descendentes que asseguram o combate da praga, e não propriamente os indivíduos largados (DeBACH & HAGEN, 1964; STEHR, 1982).

Esta modalidade de luta biológica aplica-se frequentemente a situações em que o auxiliar é periodicamente dizimado pela ocorrência - durante parte do ano - de condições ambientais desfavoráveis, mas opera eficazmente durante a restante parte do mesmo. Como exemplos de situações deste tipo, podem-se referir as largadas que se efectuam, depois de Invernos rigorosos e de certos tratamentos químicos. Estão, no primeiro caso, o emprego de Aphelinus mali (Hald) para combater o pulgão-lanígero, Eriosoma lanigerum (Hald), e de C. montrouzieri relativamente a cochonilhas do género Pseudococcus. No segundo caso, podem-se mencionar o emprego de Aphytis melinus (DeBach) no combate à cochonilha Aonidiella aurantii (Mask.) e de Microterys flavus contra Coccus hesperidum L. (ONILLON, 1992a).

 
2.2.2 - Tratamento biológico inundativo/periódico topo

Com o tratamento biológico inundativo pretende-se obter um efeito a muito curto prazo, não sendo necessário o estabelecimento do entomófago. Estes auxiliares são utilizados na forma de verdadeiros "insecticidas biológicos", aplicando-se às culturas em grande número - muitas vezes da ordem dos 100 000 a 600 000 indivíduos por hectare - e em períodos críticos, para supressão, a curto prazo, das pragas (STEHR, 1982; GREATHEAD & WAAGE, 1983; ONILLON, 1992a). Porque, nesta modalidade de utilização de auxiliares entomófagos o combate das pragas depende unicamente dos indivíduos largados, é muitas vezes necessário repetir as largadas várias vezes ao longo do período de risco de prejuízos. Por isso, tal modalidade só é praticável desde que se possa produzir em condições económicas, para uma determinada época, a quantidade necessária de agente biológico (AMARO & BAGGIOLINI, 1982). Por outro lado, e pela mesma razão, o método só tem viabilidade económica em culturas de alto rendimento e cuja tolerância ao ataque das pragas é pequena (FLANDERS, 1951). Deve-se, igualmente, reservar a sua aplicação a pragas univoltinas ou, se multivoltinas, especialmente naquelas cujas densidades populacionais atingem níveis economicamente importantes apenas numa das gerações (DeBACH & HAGEN, 1964).

Actualmente, os artrópodos entomófagos mais utilizados, em todo o mundo, nesta modalidade de luta biológica são os tricogramas - insectos que parasitam ovos de lepidópteros (KING et al., 1985). A produção relativamente fácil e económica destes auxiliares e a sua eficácia no combate a diversas pragas, bem patente nos resultados já obtidos, sobretudo na Rússia, China, EUA e em alguns países da Europa, têm incentivado a construção de verdadeiras biofábricas com vista à sua produção em massa (D`AGUILAR et al., 1977; KING et al., 1985; ONILLON, 1992a).

Nalguns países da Europa, como por exemplo França, Alemanha e Suíça, estes insectos têm recebido especial atenção para a luta contra a nóctua-da-couve, Mamestra brassicae L., a pirale-do-milho, Ostrinia nubilalis e o bichado-da-macieira, Cydia pomonella L. (D`AGUILAR et al., 1977).

O tratamento biológico inundativo também tem longa tradição no caso das culturas protegidas, sobretudo com a utilização do parasitóide E. formosa na luta contra a mosca-branca-das-estufas, T. vaporariorum, e do predador Phytoseiulus persimilis relativamente ao aranhiço-amarelo, Tetranychus urticae (GREATHEAD, 1976; D`AGUILAR et al., 1977; MILAIRE, 1983).

Em Portugal são de referir, neste domínio, os estudos em curso, há já alguns anos, sobre a utilização de tricogramas na luta contra a broca-do-milho, a lagarta-da-couve (AMARO, 1992) e, mais recentemente, contra a traça-da-oliveira (BENTO et al., 1998).

 
2.2.3 - Tratamento biológico suplementar

O tratamento biológico suplementar utiliza-se em casos em que se verifique existir risco eminente de uma praga deixar de ser limitada pelos seus inimigos naturais. Procura-se então contrariar esse risco através da acção directa de auxiliares, que são largados na cultura, ou da acção dos descendentes imediatos desses auxiliares. Situações deste tipo observam-se, por exemplo, quando os auxiliares não se reproduzem com suficiente rapidez ou quando não se conseguem manter em densidades adequadas, face a determinadas práticas culturais (GREATHEAD & WAAGE, 1983).

Um exemplo de aplicação desta técnica é apresentado por CROFT & McMURTRY (1972), relativamente ao combate do ácaro fitófago Tetranychus mcdanieli McGregor em macieira. Nesta situação, os autores citados indicam que largadas de 128 indivíduos do predador Typhlodromus occidentalis Nesbitt asseguraram a manutenção da população do fitófago a densidades inferiores a 15 ácaros por folha, quando, na ausência de largadas, a densidade populacional dessa espécie excedeu 120 indivíduos por folha.

As possibilidades oferecidas pelo tratamento biológico na protecção das culturas contra pragas de artrópodos são já significativas, encontrando-se disponíveis comercialmente, para o efeito, várias espécies de auxiliares (QUADRO 1).

Os progressos que têm sido registados a nível do conhecimento de diferentes aspectos, designadamente sobre a bioecologia, fisiologia e comportamento destes organismos, tem permitido que os avanços se façam em bases cada vez mais científicas e com probabilidades de êxito cada vez maiores. Nos últimos anos, tem sido dada especial ênfase ao desenvolvimento de técnicas e métodos visando a verificação da qualidade dos auxiliares utilizados. Este aspecto, que foi descurado até há pouco tempo atrás, e esteve na base de alguns insucessos notáveis, é hoje tido em atenção nas diferentes fases da produção, armazenamento e distribuição dos agentes de luta biológica. Tal facto dá, tanto ao produtor como ao utilizador, uma garantia de confiança relativamente ao auxiliar empregue e constitui uma prova evidente de que a luta biológica por meio de artrópodos atingiu a sua maturidade.

 
QUADRO 1
Principais artrópodos auxiliares disponíveis comercialmente a nível internacional e pragas em cujo combate se utilizam (Baseado em: HUSSEY & SCOPES, 1985; INRA, 1986; Van LENTEREN et al., 1991; MALAIS & RAVENSBERG, 1992; RODRIGUEZ, 1992).
Auxiliar
Praga
Classe/Família
Espécie
Espécie
Arachnida    
    Phytoseiidae Phytoseiulus persimilis A.-H. Tetranychus urticae (Koch)
    Tetranychus cinnabarinus Boisd.
     
  Amblyseius cucumeris (Oud.) Liriomyza sp.
    Thrips tabaci Lind.
    Frankliniella occidentalis (Perg.)
     
Insecta    
  Chrysopidae Chrysoperla carnea (Steph.) afídeos
   
  Anthocoridae Orius insidiosus Frankliniella occidentalis (Perg.)
     
  Coccinellidae Cryptolaemus montrouzieri (Muls.) Planococcus citri (Risso)
     
  Cecidomyiidae Aphidoletes aphidimyza (Rond.) Myzus persicae (Sultzer)
    Aphis gossypii (Glover)
    Macrosiphum euphorbiae (Thom)
    Aulacorthum solani (Kalten.)
  Braconidae Dacnusa sibirica (Telenga)

Liriomyza bryoniae (Kalten.)

    Liriomyza trifolii (Burg.)
    Liriomyza huidobrensis (Blanch.
  Aphidius matricariae (Haliday)

Myzus persicae (Sulz.)

    Aphis gossypi (Glover)
    Macrosiphum euphorbiae (Thom.)
   

Aulacorthum solani (Kalten.)

  Encyrtidae Leptomastix dactylopii Howard Planococcus citri (Risso)
  Eulophidae Encarsia formosa (Gahan) Trialeurodes vaporariorum West.
    Bemisia tabaci (Gennadius)
  Dyglyphus  isaea (Walker)

Liriomyza bryoniae (Kalten.)

    Liriomyza trifolii (Burg.)
    Liriomyza huidobrensis (Blanch.)
Trichogrammatidae Ostrinia nubilalis (Hübner) Trichogramma maïdis (Pint. & Voeg.)
     
 
Nota final  topo

A concluir chama-se a atenção para o interesse crescente que o emprego de meios de luta biológica assume na protecção das culturas contra pragas. São vários os motivos desse aumento de interesse. Assim, por um lado, há por parte do público, uma grande preocupação - aliada a um certo grau de emotividade - relativamente ao emprego de pesticidas, facto que tem criado um ambiente onde a possibilidade de utilização de meios de luta não químicos é considerada com maior atenção. Neste contexto, existe também uma apetência especial pelos produtos obtidos com o mínimo de produtos fitofarmacêuticos, o que constitui uma forma de valorização das colheitas, importante na situação actual, face à situação de competição de mercado que se vive (OBERHOFER, 1992).

Por outro lado, a dependência dos pesticidas enquanto o principal ou mesmo único meio de protecção, é olhada como tendo um futuro cada vez mais limitado. Assim, embora estes produtos devam continuar a ser no futuro próximo, um importante componente da protecção das culturas, os problemas decorrentes do seu emprego têm-se vindo a alargar e a intensificar. As crescentes restrições ao uso das actuais substâncias activas e a incerteza sobre a descoberta e desenvolvimento de outras, capazes de as substituirem, é motivo de grandes preocupações. Nesta perspectiva, a luta biológica, pelas vantagens que apresenta, nomeadeamente no que se refere à sua possibilidade de integração com outros meios de protecção, deverá ocupar um lugar cada vez mais importante na defesa da produção agrícola.

As possibilidades de racionalização dos tratamentos fitossanitários, designadamente no que se refere à redução dos efeitos secundários dos pesticidas nos auxiliares, têm sofrido melhorias consideráveis nos últimos anos, sendo significativos os progressos conseguidos nessa perspectiva. Assim, encontra-se já disponível informação relativa a diversos produtos e vários grupos de auxiliares, que os investigadores constantemente procuram aprofundar. Neste contexto é de realçar em especial a actividade desenvolvida pelo Grupo de Trabalho "Pesticidas e Organismos úteis", da Organização Internacional de Luta Biológica (OILB), ao qual pertencem actualmente mais de 50 investigadores europeus. Saliente-se ainda que, o facto de já ser obrigatória em muitos países europeus a realização de estudos deste tipo para a homologação dos produtos fitossanitários, e de se prever que tal obrigatoriedade se alargue, em breve, a todos os países da Comunidade Europeia (VIÑUELA et al., 1993), dará certamente um grande impulso nesta área.

A situação apresentada não é infelizmente idêntica para o caso das acções visando quer a manutenção da diversidade vegetal dos ecossistemas, quer a adopção de práticas culturais orientadas no sentido do fomento da acção dos auxiliares, domínios onde as iniciativas realizadas ou em curso são relativamente escassas e de índole esporádica. Nesta perspectiva, consideram-se de especial interesse os estudos tendo em vista a manutenção e/ou estabelecimento de manchas de vegetação espontânea e/ou semeada, nas proximidades ou no interior das culturas, bem como a sua condução de forma a competir o mínimo com estas. Estudos desta natureza fazem, aliás, parte dos objectivos da generalidade dos programas de produção agrícola integrada, que se começam a desenvolver em diferentes países, bem como dos sistemas de agricultura biológica, que despertam a atenção de um número crescente de consumidores.

Os exemplos apresentados evidenciam bem as possibilidades que as intervenções efectuadas ao nível do ecossistema agrário oferecem, com vista à utilização dos auxiliares presentes na natureza, para limitar as pragas das culturas. Como se referiu, a racionalização dos tratamentos fitossanitários e a manutenção da diversidade vegetal dos ecossistemas, são aspectos que assumem particular interesse nesse contexto. São-no, ainda, determinados métodos culturais, que podem ser facilmente manipulados no sentido de priveligiar o desenvolvimento e actividade dos auxiliares relativamente aos dos organismos nocivos às culturas

 
Referências bibliográficas topo
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