a c t i v i d a d e s   e   i n t e r e s s e s   d e   i n v e s t i g a ç ã o



Ciências Sociais


.1 Debates e recensões críticas em Ciência Social
.2 Debater Pierre Bourdieu
.3 Divulgação das ciências sociais
.4  Investigação sobre o ensino universitário das Ciências Sociais (a implementar)


.1Debates e recensões críticas em Ciência Social

O debate público intelectual em Portugal entre investigadores sociais sobre a Ciência Social que se constroí e produz é escasso, muito limitado e parece conter importantes vícios, pois facilmente se confunde debate de ideias com divergências pessoais e comentário crítico com avaliação da competência científica. Assim, parece-me ser um dever de ofício contribuir para o desenvolvimento de um estilo de debate construtivo, frontal e polémico, que permita romper com a cristalização de relações de poder nos campos científicos e universitários, relativas a "paróquias" disciplinares e académicas.

Com este fim destaco os seguintes trabalhos:

1995 - "Debater a Sociologia da Educação em Portugal" , Forum Sociológico, nº6, pp.33-48 [Comentário crítico ao artigo de José Resende e Maria Manuel Vieira (1993), publicado no nº2 da mesma revista].

1997 - Recensão crítica do livro de Augusto S. Silva, 1997: Tempos Cruzados, Porto Afrontamento. Educação Sociedade e Culturas, nº7, pp.169-172.

1999 - "Da análise do protesto colectivo aos Movimentos Sociais". Comentário apresentado na mesa redonda sobre "Cidadania activa, movimentos sociais e democracia participativa" , promovida no âmbito do colóquio comemorativo dos 25 anos da RCCS, Revista Crítica de Ciências Sociais, nº54, pp. 87-192.

1999 - "A estruturação social e a reflexibilidade: as limitações da sociologia da educação" , Educação, Sociedade e Culturas, nº12, pp. 223-229 [Comentário crítico ao artigo de Xavier Bonal e Xavier Rambla (1996), publicado no nº9 da mesma revista].

2001 - "O conceito de cultura aplicado à análise dos grupos profissionais - interrogações e comentário" , Educação, Sociedade e Culturas, nº15, pp.199-204 [Comentário crítico ao artigo de Jorge A. Lima (2000), publicado no nº13 da mesma revista].

2002 - "Dos dualismos de sentido aos usos sociais das teorias educativas" , Educação, Sociedade e Culturas, nº18, pp.149-160 [Comentário crítico ao artigo de Rui Gomes (2001), publicado no nº16 da mesma revista].

2006 - “Notas sobre o modo selvagem de ensinar e investigar em Sociologia. Comunicação apresentada no Encontro sobre Futuros da Profissão Sociólogo. Vendas Novas, Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

2006 - “Da Sociologia da Educação à Antropologia da aprendizagem. Comunicação no painel temático sobre “Percursos e testemunhos em Antropologia da Educação” no 3º Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia. Lisboa, ISCTE.


.2 Debater Pierre Bourdieu

Mais especificamente, com iguais propósitos de debate, destaco alguns trabalhos mais dirigidos aos campos das Ciências Sociais:

2002 - "Da estrutura prática à conjuntura interactiva - relendo o Esboço de uma Teoria da Prática de Pierre Bourdieu" , Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 64, pp. 135-143 [recensão e comentário crítico a propósito da edição em português do Esquisse d'une theorie de la pratique de Pierre Bourdieu].

2004 - " O conceito de prática em Bourdieu e a pesquisa em educação" , Educação & Realidade [Brasil], XXVIII (1), pp.31-48.

2007- “Poder e reflexividade em ciência: revisão crítica do Science de la science de Pierre Bourdieu”. Educação & Linguagem [Brasil], X(16), pp.127-146.

2008 - “História, reforma e lucidez em ciência: a reflexividade científica segundo Pierre Bourdieu”. Revista Crítica de Ciências Sociais, nº79, pp.133-149.

.3 Divulgação das ciências sociais

Os investigadores de Ciências Sociais têm uma responsabilidade social relativa à produção de textos que usem conhecimentos científicos para reflectir sobre problemas sociais. Nesta qualidade, não são mais do que cidadãos interessados e informados na vida social que os rodeia. Há, no entanto, que ter presente que o seu estatuto social condiciona o modo como são interpretados pela sociedade. Não devem, por isso, os investigadores de Ciências Sociais, apresentar as suas opiniões como se fossem resultado exclusivo das práticas científicas. A ciência serve a explicação do existente e do possível e não a afirmação de soluções para problemas ou mudanças sociais. O desejo de mudar, de tornar o mundo social mais justo, merece e justifica as contribuições das Ciências Sociais através das palavras e dos textos dos cidadãos que opinam, entre os quais estão os investigadores. Os textos que seleccionei, que correspondem a esta finalidade, concentram-se nas temáticas da educação e da organização da ciência social.

Caria, Telmo (2003), ''O poder corrompe?!" . Manifesto, nº3, pp. 34-36.

Caria, Telmo (2004), "Fragmentos do quotidiano de vida das Ciências Socais (I e II)" . A Página de Educação, Julho e Agosto.

Caria, Telmo (2005), “Milagres precisam-se! - O Portugal das educações (I). A Página de Educação, Abril, p.31.

Caria, Telmo (2005), “Uma política que falhou! - O Portugal das educações (II). A Página de Educação, Maio, p.31.

Caria, Telmo (2005), “Projectos educativos por encomenda? - O Portugal das educações (III) . A Página de Educação, Junho, p.31.

Caria, Telmo (2005), “Em Educação é preciso números! - O Portugal das educações (IV). A Página de Educação, Julho, p.31

Caria, Telmo (2005), “Os discursos sobre as qualidades da educação - O Portugal das educações (V). A Página de Educação, Agosto/Setembro, p.31.

Caria, Telmo (2005), “Fundamentação técnica da agenda político-educativa? - O Portugal das educações (VI). A Página de Educação, Outubro, p.32.

Caria, Telmo (2005), “Utilidade social da Escola? - O Portugal das educações (VIIa). A Página de Educação [esteve para publicação, mas tal não ocorreu devido a erro de edição].

Caria, Telmo (2005), “Conteúdo e forma do saber pensar - O Portugal das educações (VIIb). A Página de Educação, Novembro, p.29.


.4 Investigação sobre o ensino universitário das Ciências Sociais (a implementar)

As reflexões pedagógicas ou epistemológicas sobre as Ciências Sociais e a investigação sobre os professores e outros profissionais, têm cada vez mais colocado a mim próprio a urgência de teorizar a actividade de ensino da Sociologia e das Ciências Sociais a que sempre me tenho dedicado. Trata-se de nós, enquanto docentes universitários, reconhecermos a nossa capacidade para usarmos a teoria social para objectivar a nossa subjectividade de aprendizes de docentes e aprendizes de investigadores.

Com este fim destaco os dois trabalhos que mais se aproximam deste propósito, ainda que seja apenas um retomar da reflexão pedagógica anterior e que se limitem apenas a situar o problema:

1999 - Introdução às Ciências Sociais - programa, conteúdo e métodos de ensino. Trabalho apresentado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para efeitos de concurso documental ao lugar de Professor Associado no ramo de Ciências Sociais, grupo disciplinar de Teoria Social e Metodologia da Investigação (mimeo).

2002 - "Teoria e prática em contexto" in O particular e o global no virar do milénio: cruzar saberes em Educação - Actas do 5º Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Lisboa, Colibri, pp.121-124.