e x p e r i ê n c i a s   e t n o g r á f i c a s   e m   c i ê n c i a s   s o c i a i s



.1 Apresentação
.2 Livro
.3 Lista de colaborações até 2002
.4 Actividades
.5 Uma REDE de etnógrafos sociais?


.1 Apresentação

Em 1999 desafiei vários colegas que tinham experiência e reflexão sobre trabalho etnográfico, com proveniências disciplinares e institucionais variadas, a participarem na concepção de um livro sobre o tema. Para facilitar os contactos e as comunicações para a elaboração do livro foi criada uma lista electrónica, que entretanto se alargou a outros investigadores também ligados experiencialmente à temática das metodologias etnográficas de investigação social.
O projecto do livro veio a ter concretização durante o ano de 2001 e foi publicado em Abril de 2003 na editora Afrontamento com o título Experiências Etnográficas de Investigação em Ciências Sociais.


.2 Livro
As experiências etnográficas descritas neste livro nos vários capítulos referem-se à descrição do pensamento dos investigadores sobre o modo como o relacional e o sócio-cognitivo pode ser transposto para uma linguagem e registo científicos.

A organização do livro tem por referência duas dimensões reflexivas que consideramos essenciais para a culturalização da ciência social: a construção sócio-teórica do conheimento científico sobre o social; a construção sócio-cognitiva do conhecimento científico sobre o social.
Cada uma destas dimensões corresponde, grosso modo, a uma parte do livro.

Na primeira parte está enfatizada a reflexividade interactiva dos investigadores na sua "comunidade" (científica) de pertença e/ou referência, facilitada pelos dados que exprimem a reflexividade institucional dos autóctones sobre a sua diferença cultural. Assim encontramos como elementos mais relevantes desta dimensão:
(1) as referências auto-biográficas, os valores e a caracterização das relações de implicação do investigador com o objecto em estudo;
(2) as identidades (i)legítimas e as tomadas de posição face à cultura disciplinar-científica de formação do investigador;
(3) os conflitos sócio-cognitivos, desencadeados pelos efeitos inesperados na relação entre teoria e reflexividade social, mediados pela escrita do diário de campo e pelo debate na tradição teórico-disciplinar de origem e formação do investigador.

Na segunda parte do livro está enfatizada a reflexividade institucional dos investigadores no uso da teoria social para objectivarem a interacção no campo, facilitada pelos autóctones pelo uso contextual da ciência na sua reflexividade interactiva. Assim encontramos como elementos mais relevantes desta dimensão:
(1) a reconstextualização da teoria social (como teoria auxiliar) para entender as expectativas, as imagens e as representações dos "nativos" sobre a presença de um investigador de Ciências Sociais;
(2) a identificação e explicação das assimetrias na relação social de investigação, limitadoras das trocas e da construção de um sentido comum contextual;
(3) as estratégias de acção capazes de actuar sobre as estruturas de desigualdade, de modo a criar outros efeitos de sentido, não tão limitadas pelas relações de poder.

Pensamos que a primeira dimensão do trabalho etnográfico permite identificar e pormenorizar o sentido interpretativo, de natureza teórico-epistemológica, da etnografia em Ciências Sociais, enquanto a segunda dimensão permite identificar e pormenorizar o sentido estratégico, de natureza teórico-técnica.

Sobre a sequência dos capítulos do livro, poderemos assinalar que:
(1) cada uma partes do livro é iniciada com capítulos que põem em relevo as notas de campo e o seu papel reflexivo e racionalizador sobre a prática da ciência;
(2) de seguida, na primeira parte, surgem os dois capítulos que, de início, estão mais relacionados com identidades e culturas disciplinares, ainda que também desenvolvam outros aspectos;
(3) no final da primeira parte, surge o capítulo que dá mais ênfase aos aspectos relacionados com os valores e com as construções e conflitos sócio-cognitivos;
(4) na segunda parte, depois do primeiro capítulo, surgem outros que, por ordem de distância cultural e geográfica relativamente a Portugal e aos grupos sociais dominantes, tratam mais especificamente a interacção social no campo com os sujeitos/objectos da investigação. (adaptado da introdução do livro, pp.19-20)

O livro foi objecto de uma recensão crítica na revista Etnográfica da autoria de Susana Durão.

Índice do livro e autores


.3 Lista de colaborações até 2002

Amélia Frazão-Moreira (FCSH-UNL)
Armando Loureiro (UTAD)
Carlos Manuel Silva (UM)
Darlinda Moreira (UA)
Elísio Estanque (FE-UC)
Fernando Bessa (UTAD)
Fernando Pereira (IPB)
Filipe Reis (ISCTE)
José Amendoeira (IPS)
José Luís Fernandes (FPCE-UP)
José Manuel Filipe (ISCTE)
Luís Silva Pereira (ISPA)
Manuela Ferreira (FPCE-UP)
Manuela Ribeiro (UTAD)
Paulo Raposo (ISCTE)
Pedro Silva (IPL)
Ricardo Vieira (IPL)
Telmo Caria (UTAD)


.4 Actividades

Pretendeu-se que a lista electrónica criada servisse de veículo de debate (à distância) sobre as experiências etnográficas existentes e sobre temas afins ligados à teoria social que se considerassem de interesse geral. Considerou-se que uma das dimensões mais relevantes do trabalho etnográfico estava relacionada com o modo como se lida e analisa a linguagem comum quotidiana. Assim, promoveu-se uma tentativa de debate sobre o seguinte texto: Quéré, Louis (1994), «Présentation», Raisons Pratiques, n5, pp.7-40. Esta iniciativa não teve sucesso e, por isso, a lista foi cancelada logo depois da publicação do livro.

Em 2002 no VII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, realizado no Rio de Janeiro, foi organizado um painel sobre o tema, intitulado: “Da ciência como produto legítimo à ciência como construção social e cognitiva: o caso da investigação etnográfica em CS em Portugal”. Neste painel participaram vários dos colegas que contribuíram para o livro.

Em 2004, em Espanha, na I Reunión Científica Internacional Sobre Etnografia e Educacion, Universidad de Castilla-La Mancha, organizei um painel com o título: "O etnógrafo, um profissional reflexivo". Nele participaram três dos colegas que comigo já tinham colaborado anteriormente.


.5 Uma REDE de etnógrafos sociais?

Em 2003 tive conhecimento da constituição de uma lista electrónica e de um workshop/seminário no Centro de Estudos em Antropologia Social (CEAS) do ISCTE para informação e debate sobre investigação etnográfica. Aderi a esta iniciativa.

Na sequência das actividades desenvolvidas por este seminário foi organizado em conjunto, no 3º Congresso Português de Antropologia, em 2006, um painel temático intitulado “Etnografias”, no qual apresentei uma comunicação intitulada: “ Perplexidades de um sociólogo aprendiz de Antropologia Social.